sábado, maio 10, 2008

Tia Marli

Como ela tá? Onde ela tá? Ela tá bem? Ela lembra de mim? Ela sente saudades de mim? Por que eu to pensando tanto nela? Será que meu subconsciente tá tentando me mandar uma mensagem? Só sei que se isso fosse a América do Norte, eu acharia o nome dela no Yahoo! people search.

São tantas coisas que lembro dela. Ainda bem que lembro porque na infância eu não raciocinava how cool she was. O jeito sofredor de ela amar her man à distância. Suas conversas por telefone com ele. Ele enrolava ela mas mesmo assim, ela meio que esperava por ele. Seu jeito intenso de amar quem ela ama. Seu jeito intenso de sentir raiva. Seu jeito intenso de surtar. Tudo nela era exagerado. Ela agia como se não ligasse transparecendo uma certa alegria apesar de tudo o que acontecia. Tratava todo mundo bem. Parecia que conhecia a todos. Andava sempre de táxi, sabia o número dos taxistas de cor e tratava ele com nomes como: amor, bem, querido... tratava a todos assim. Era liberal! Ah como era bom poder comer Fandangos sem pensar que levaria esporro. Pra uma criança de 6 anos isso é muito importante. Ela assistia Ratinho todos os dias e ainda discutia o programa comigo. Vendo Terra Nostra dizia que achava o Thiago Lacerda um charme. Dizia pra mim. Os jogos de futebol sempre davam em palavrões e exaltações. Chamava um dos jogadores do Palmeiras de armário. Um negrão alto, forte e másculo. Todos adoravam a Tia Marli. Toda louca e engraçada com seu jeito único de ser. Talvez podia ser minha inocência infantil. Não sei. Só sei que ela era demais. Cuidou de mim quando tive catapora e minha mãe ia trabalhar. Ontem mesmo minha mãe disse que ela vivia suas paixões como se fossem sua vida. Pra mim não parecia. Nunca vi esse homem. Só em foto. Ele nunca vai ser o bastante pra ela na minha opinião. Lembro-me de estar no carro com ela, minha mãe e uma amiga ou familiar dela. Quando chegamos aonde tínhamos de chegar era festa. Parecia várias pessoas iguais à Marli. Clones. Pensei que queria uma família assim, alegre, comunicativa, cheia de amor. Que vive intensamente... Era um sítio arborizado. Pessoas rindo e comendo. Água. Eu me lembro da água. Uma das melhores com que já me molhei na vida. Não sei se era a água ou o heat of the moment.

Essa era a Marli. A que cuidou de mim. A que conversava comigo. A que esfaqueava o armário em crises... Louca... intensa... exagerada.... a que deixa saudades. Ela só fumava no vaso, me mostrou o jeito correto de enxugar as partes, gritava pela a janela, rezava, me ensinou a rezar pro meu anjo da guarda uma oração que nunca esqueci. Eu fui catequizada por Marli. Faço questão de não ser catequizada por mais ninguém! Não sei onde ela está mas deve estar tornando a vida de outra pessoa mais alegre e não vivendo intensamente algum amor inútil. Espero...
Marli fumava no vaso.
Marli gritava pela janela.
Marli me amava (intensamente).

2 comentários:

random girl disse...

Ratinho lol

Tüppÿ disse...

Essa Marli parece ser o máximo ._.

E você é uma criança muito fofa! *.*